Os 88 Templos do Peregrinação de Shikoku: A Rota de 1.200 km que Tornou-se um Reflexo da Cultura Espiritual Japonesa
Visão Geral: Uma Jornada Espiritual de Mais de 1.200 Anos
Entre as montanhas e a costa da ilha de Shikoku, no Japón, existe um caminho de peregrinação que perdura há mais de mil duzentos anos — o Ohenro de Shikoku. Este percurso circular atravessa quatro prefeituras (Tokushima, Kōchi, Ehime e Kagawa), ligando 88 templos dedicados às sagradas pegadas do Mestre Kōbō Daishi (空海), num trajeto total de aproximadamente 1.200 quilômetros.
A cada ano, cerca de 200.000 pessoasembarcam nesta jornada, seja a pé, de bicicleta ou de carro. Vestem白色的衣服, carregam um bastão de madeira e usam um chapéu de palha — esta indumentária não é apenas vestuário, mas uma declaração de fé: "DOJŌ NIN", ou seja, os peregrinos nunca estão sós, pois o Mestre Kōbō Daishi os acompanha sempre.
Mestre Kūkai: as raízes espirituais do pilgrimage
O Mestre Kūkai (774-835 d.C.), cujo nome budista era Vajra, foi o fundador da escola Shingon (真言宗). Nasceu numa família nobre de Sanuki, na região de Shikoku (atual província de Kagawa). Desde criança, foi um leitor ávido e, ainda jovem, viajou para Chang'an, na China, onde estudou o Budismo Esotérico com o mestre Huituo. Após completar os estudos, regressou ao Japão para fundar a escola Shingon e estabeleceu o templo Kongōbu-ji no monte Kōya como centro principal.
Kūkai não foi apenas uma figura religiosa; foi também calígrafo (a expressão japonesa "até Kūkai pode errar" tornou-senum provérbio), engenheiro (reparou o sistema hidráulico da lagoa Mannōike) e educador (fundou a primeira instituição de ensino no Japão aberta aos comuns, o Gakuzō Jishoin). Deixou numerous locais de prática e fundação sagrada em Shikoku, e os seus passos foram seguidos por gerações, dando origem à tradição de peregrinação.
A geografia espiritual das quatro províncias de Shikoku: Início, Prática, Iluminação e Nirvana
A peregrinação é dividida por quatro províncias, cada uma com seu significado espiritual:
- Província de Tokushima (templos 1-23) — o campo do Início: O ponto de partida da jornada, simboliza o "Início" — a decisão de empreender a peregrinação. O Templo Ryōzenji (templo 1) é o ponto de partida tradicional, e templos montanos como o Kongōchōji testam a vontade física e espiritual.
- Província de Kōchi (templos 24-39) — o campo da Prática: A região mais extensa da jornada (cerca de 400 km), atravessando a costa do Oceano Pacífico, simboliza as dificuldades da prática. O Templo Saidōji (templo 24), no Cabo Muroto, e o Templo Kongōfukuji (templo 38), no Cabo Ashizuri, são dois marcos importantes.
- Provícia de Ehime (templos 40-65) — o campo da Iluminação: Os templos ao redor do Monte Ishizuchi (o mais alto de Shikoku), simbolizam a chegada da iluminação. O Onsen Dogo está nesta província, onde muitos peregrinos descansam.
- Província de Kagawa (templos 66-88) — o campo do Nirvana: O trecho final da jornada, simboliza a libertação. O Templo_OKuboji (templo 88) é o ponto final tradicional, o local de "conclusão" da peregrinação.
「Dois Companheiros de Caminho»: O Núcleo da Filosofia do Peregrinagem
O conceito espiritual mais central na cultura da peregrinação é「Dois Companheiros de Caminho」(どうぎょうににん) — o peregrino nunca caminha sozinho, o grande mestre Kukai está sempre com ele. Esta fé manifesta-se em cada detalhe do peregrino:
- Túnica Branca: símbolo depureza, representando também a preparação permanente para a morte (a túnica branca era utilizada em rituais funerários), embarkingando na jornada de peregrinação com a consciência da morte
- Bastão de Diamante: considerado como a encarnação do mestre Kukai, colocado ao lado da almofada durante a noite e preparado antes de qualquer refeição
- Chapéu de Palha: com o poema de Kukai gravado:「Por迷惑,故三界城; por despercebimento, dez mil campos vazios; originalmente sem leste nem oeste, onde há norte ou sul?»
- Tábuas de Oração: pequenas tábuas de madeira depositadas em cada templo, Registrando nome, morada e preces; após décadas de peregrinação, as tábuas tornam-se pretas
Cultura de Receção: o Sacrifício Desinteressado dos Habitantes de Shikoku
Na cultura henro, o que mais comove os visitantes é a "Osettai" — os habitantes locais de Shikoku oferecem espontaneamente aos henros alimentos, bebidas, alojamento e até dinheiro, sem esperar qualquer compensação. Esta tradição tem origem nos ensinamentos do Grande Mestre Kūkai, e reflete também o respeito do povo de Shikoku pelos peregrinos.
Os henros que recebem a Osettai oferecem normalmente uma Natsude (placa de peregrino) como oferta de cortesia. As natsudespretas (para quem completou mais de cinquenta peregrinações) são consideradas amuletos preciosos de proteção.
Henro Moderno: de Peregrinação Religiosa a Turismo Cultural
Com a evolução dos tempos, a composição dos peregrinos Henro também mudou profundamente. No início, eram principalmente fiéis que procuravam a cura de doenças ou rezavam pelos mortos; os motivos dos peregrinos Henro modernos são mais diversificados:
- Prática espiritual e autorreflexão (representa uma proporção significativa)
- Viagem de marco de vida após a reforma
- Experiência cultural para viajantes internacionais (percentagem de peregrinos estrangeiros tem aumentado progressivamente)
- Viagem de cura para sobreviventes de cancro ou em momentos de transição na vida
Em épocas de pico, mais de 200 mil pessoas completam o percurso completo por ano, sendo cerca de 3.000 a 5.000 as que o fazem a pé, requerendo 40 a 60 dias. Uma maior parte opta por completar o percurso em etapas, podendo Spread over several years or even decades.
Candidatura UNESCO: O Próximo Passo para o Patrimônio Cultural Mundial
A candidatura a Patrimônio Mundial da UNESCO para o pilgrimage dos 88 templos nos quatro distritos constitui uma das dinâmicas culturais japonesas mais badaladas nos últimos anos. A candidatura é impulsionada em conjunto por quatro prefeituras, enfatizando a natureza transfronteiriça do pilgrimage, a transmissão viva e contínua ao longo de milénios, e os valores culturais intangíveis representados pelo "acolhimento".
O governo japonês já completou a preparação da carta de recomendação. Se for bem-sucedido na listagem, o pilgrimage tornar-se-á a segunda rota de peregrinação japonesa a ser incluída na UNESCO, após a Rota de Kumano (2004).
Dōgo Onsen: O Refúgio dos Peregrinos
Localizada na cidade de Matsuyama, na província de Ehime, o Dōgo Onsen é uma das fontes termais mais antigas do Japão, com construções datadas de 1894 (ano 27 de Meiji). O impressionante edifício de três andares em madeira foi designado como Bem Cultural Importante do Japão. Muitos peregrinos param aqui para descansar os pés cansados.
O Pavilhão Principal do Dōgo Onsen encontra-se atualmente (desde 2023) em obras de conservação e restauro, com reabertura parcial prevista para 2024. As preciosas construções históricas serão cuidadosamente preservadas, prolongando sua vida útil.
Castelo de Kochi e Sakamoto Ryoma: Sítios Históricos na Rota da Peregrinação
A peregrinação que passa pela Prefectura de Kochi não tem apenas templos, mas também uma rica história militar. O Castelo de Kochi (nas redondezas do 24º ao 39º local) é um dos 12 keepes de castelo existentes no Japão, construído em 1749 (período Kanmei), e era a capital do domínio de Tosa da família Yamauchi.
O mais importante é que Kochi é o local de nascimento de Sakamoto Ryoma (1836-1867). Ryoma foi uma figura-chave na promoção da Restauração Meiji, promovendo a aliança entre Satsuma e Choshu, redigindo as "Oito Políticas a bordo do Navio", que estabeleceram as bases para o nascimento do Japão moderno. O Museu Comemorativo de Sakamoto Ryoma em Kochi é um importante ponto turístico cultural na rota da Peregrinação de Shikoku.
Perguntas Frequentes
É possível fazer opilgrimage de Shikoku sem ser budista?
Absolutamente sim. Muitos peregrinos não são budistas devoted, mas participam com uma的心态 de experiência cultural, auto-descoberta ou caminhada. O pilgrimage está aberto a pessoas de qualquer religião ou sem religião.
Qual é a melhor época do ano para o pilgrimage de Shikoku?
A primavera (março a maio) e o outono (setembro a novembro) oferecem as condições climáticas mais ideais para fazer o pilgrimage a pé. O verão em Shikoku é quente e húmido, e assecçõesdas montanhas podem ter neve no inverno, mas há peregrinos na estrada durante todo o ano.
Quanto custa completar o pilgrimage?
O pilgrimage a pé custa aproximadamente 150.000 a 200.000 ienes (alojamento/refeições/oferendas aos templos). Usar as "casas de acolhimento" gratuitas pode reduzir custos. O pilgrimage de carro custa cerca de 50.000 a 100.000 ienes.
Fontes de Dados
- Associação dos 88 Locais Sagrados de Shikoku (Oficial)
- Governo Prefectural de Ehime - Candidatura UNESCO
- Agência para Assuntos Culturais do Japão - Projeto de Preservação e Manutenção de Rotas de Peregrinação